Será que sou orgulhoso?

Texto de: Paulo Franco Machado
Publicado em: 18 de março de 2013
Postado em: Formação | Reflexões

O tempo da quaresma nos convida à conversão, quer dizer, a uma mudança de atitude. Mas só se pode mudar o rumo de alguma coisa se sabe de onde vem e também para onde vai. Portanto, se desejamos realmente mudar de vida, é necessário fazer um exame de consciência profundo para identificar exatamente onde estamos para então, com fé e perseverança, trilharmos os caminhos que Cristo nos indica.

Assim como quando ligamos um GPS ele nos dá a localização que estamos no globo terrestre, uma vida austera de oração dos dará claramente a “posição” de onde estamos espiritualmente. E é neste espírito de oração que convido você leitor a meditar sobre a realidade do orgulho. Se pensarmos a respeito de forma desatenta, deixaremos o título de orgulhoso somente para o próximo. Mas se orarmos com paciência e meditarmos sobre nossas vidas, perceberemos que em nós está enraizado o orgulho.

O catecismo define o pecado em sua raiz como uma atitude orgulhosa: “O pecado ergue-se contra o amor de Deus por nós e desvia dele os nossos corações. Como o primeiro pecado, é uma desobediência, uma revolta contra Deus, por vontade de tornar-se “como deuses”, conhecendo e determinando o bem e o mal (Gn 3,5). O pecado é, portanto, “amor de si mesmo até o desprezo de Deus”. Por essa exaltação orgulhosa de si, o pecado é diametralmente contrário à obediência de Jesus, que realiza a salvação.” Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 1850

Todos nós temos em nosso cerne atitudes orgulhosas, carregamos em nós a marca do pecado original que perpetuou a morte pelo mundo, e para participar da salvação dada por Jesus é extremamente necessário aniquilar toda forma de orgulho. O orgulho tem permeado tanto nossas vidas que não sabemos mais nem como reconhecê-lo, portanto, vamos meditar juntos para assim descortinar um pouco nosso olhar sobre nós mesmos.

É preciso perceber que a sociedade moderna nos impele a um amor desordenado de nós mesmos. Não é muito raro ouvir as frases: “Você tem o direito de ser feliz!”, “O tempo de acontecer é agora”. Interessante perceber que a princípio, parecem frases construtivas. Mas, se forem permeadas de orgulho se tornam um desastre. Por que se ler a frase “Você tem o direito de ser feliz!” com os óculos do orgulho vai entender o seguinte: Posso fazer o que eu quiser, do jeito que eu quiser, afinal, eu tenho o direito de ser feliz, dane-se o outro! Então, desta maneira, deixamos que de uma coisa boa e que Deus quer para todos nós que é a felicidade se torne motivo de desgraça. Precisamos aprender de Jesus: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. Com este resumo da lei e dos profetas Jesus nos ensina a aniquilar em nós todo orgulho. Em muitas situações do nosso dia a dia, em nome da “verdade”, lançamos mão do orgulho e perdemos excelentes oportunidades de amar o próximo, simplesmente por julgarmos estar certos. A verdade plena que vem de Cristo não nos torna orgulhosos, antes, mesmo tendo o irmão errado, usa de misericórdia e compaixão com ele por que entendeu que são igualmente filhos de Deus.

O orgulho também nos faz querer ser exclusivos. Nossa carência aliada ao orgulho consegue deturpar o amor de Deus ao ponto de querer torná-lo somente nosso e ninguém mais poder experimentar deste amor. Deus nos ama de forma única, intensa e sem igual. Mas isso não quer dizer que somos as únicas pessoas amadas por Deus, pelo contrário, Deus ama a todos por que somos todos, obras de suas mãos. Não importa se você gosta ou não daquela pessoa, se ela é feia ou bonita, se ela te fez o mal ou não. Deus ama a todos, sem exceção. Mas perceba que, Deus não ama o pecado em nós, Ele não pode participar do mal. (Tiago 1). O que ocorre na verdade é o que nos ensina o catecismo: “amor de si mesmo até o desprezo de Deus”, o orgulho nos fecha em nós mesmos até o ponto de banir Deus de nossas vidas. Portanto amar se torna uma exigência para quem quer seguir a Cristo, mesmo que para isto tenhamos que deixar de lado nossa razão para acolher o irmão com fraternidade.

É certo que, o orgulho nos fecha em nós mesmos e em nós sozinhos não existe salvação. A salvação vem de Cristo e é Cristo e só se pode chegar com Ele à Vida Eterna se for de mãos dadas com os irmãos. Passemos a partir deste momento a meditar mais sobre nossa vida e identificar o que nos tem feito mais orgulhos, ou em que situações nós temos agido de forma orgulhosa. Cristo é nosso modelo de humildade, e esta virtude, humildade, nos ajudará a combater o orgulho em nós. Jesus Cristo sendo Deus aniquilou-se e tornou homem como nós. “Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor.” Filipenses 2,6-11

 Assim como Jesus, abra mão daquilo que tem por direito em favor do próximo e aniquile todo orgulho e proclame Jesus como o Senhor da sua vida. Ele morreu de amor por nós, e precisamos morrer a cada dia para nós mesmos para nascermos novamente em Cristo.

 Reze comigo: “Jesus, proclamo o teu Senhorio em minha vida para que assim tu reines e não eu. Amém”.

  Jesus, manso e humilde de coração. Fazei do nosso coração semelhante ao vosso.

  Paulo Franco Machado Vilarinho

 

Escrito por: Paulo Franco Machado
Filho de Deus, casado com Christiane Faria, catequista, escritor. Gestor em Tecnologia da Informação com especialização em Gestão de Projetos. Atualmente é empresário e professor.

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