Por que nada dá certo pra mim?

Texto de: Paulo Franco Machado
Publicado em: 29 de dezembro de 2012
Postado em: Formação | Reflexões

Costumamos muitas vezes chamar de castigo, maldição ou simplesmente azar a consequência das faltas que cometemos e não queremos assumir. Sabemos que nem tudo depende de nós, mas será que temos plena consciência das consequências de nossas atitudes? E quando nos deparamos com o resultado de nossas faltas, temos a maturidade de assumir?

Errar é um processo natural do ser humano, não por que queremos, mas por que somos limitados. Portanto, aprender a lidar com nossos erros é uma necessidade. Com a graça de Deus é sempre possível encontrar caminhos frutuosos para os erros cometidos, mas precisamos entender que não é necessário o mal para fazer o bem. Evitamos o mal e praticamos o bem, mas se fazemos o mal, de “onde abundou o pecado, superabundou a graça de Deus” Rm 5,20

Diante de uma desgraça ou tragédia há quem diga: Foi Deus quem quis! O que é um grande erro! São Tiago nos ensina em sua carta: “Ninguém, quando for tentado, diga: É Deus quem me tenta. Deus é inacessível ao mal e não tenta a ninguém.” Tg 1,13 O mal nunca provém de Deus, Ele é inacessível a qualquer espécie de mal. O que ocorre é que Deus em seu infinito poder consegue tirar de qualquer mal um bem muito maior. Perceba que há uma diferença: Ele tira do mal o bem, mas não provoca o mal para tirar o bem. As graças de Deus transbordam de seu infinito amor e não da maldade. Portanto vamos assumir esta verdade: Deus é bom e não tenta a ninguém.

Mas se Deus não nos tenta, o que ocorre em nossas vidas?

São Tiago continua no mesmo capítulo nos dizendo:

“Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e aliciaA concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.” Tg 1,14-15

São as nossas próprias faltas que marcam em nós a consequência do pecado e quanto mais pecamos deliberadamente, mais aumenta em nós o peso de nossas culpas. E o primeiro passo para dar um fim nesta condição é a tomada de consciência de nossos erros. Parece óbvio, mas para muitos não é. Quantos diante das próprias falhas preferem culpar os outros? As vezes diante da dificuldade financeira é mais fácil achar que tem uma maldição (entenda aqui maldição como algo imposto) do que reconhecer o pecado do consumismo. Ou então diante da enfermidade é mais fácil chamar de castigo ou mal hereditário do que reconhecer que foi um erro os 40 anos de cigarros, bebidas e sedentarismo? Assumir as falhas é um passo maduro daquele que entende e confia na misericórdia Divina. Vale a pena ressaltar que nem tudo que nos acontece é culpa nossa, vivemos em um mundo rodeado de maldades e também sofremos com a consequência do pecado do próximo. Mas isto fica para um próximo artigo, quero me deter aqui às consequências de nossas faltas.

Assumir as nossas culpas não é fraqueza e nem auto condenação. A culpa dos nossos pecados já foram pagos lá na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo e somente será lavado dela (culpa) aquele que reconhecer que falhou. Se não entregamos a Jesus os nossos pecados, morremos na amargura e sem a graça do perdão, e para pedir perdão, precisamos quebrar o orgulho e reconhecer que erramos. Se hoje você guarda consigo o gosto amargo de uma culpa, não tenha medo: reconheça-se pecador e mergulhe na graça do sacramento da confissão. Este é o grande remédio que nos liberta do câncer do pecado. A misericórdia de Deus nunca falta aos seus filhos arrependidos.

Mas então, se Deus tudo perdoa, posso pecar a vontade e depois basta confessar?

Esta é uma tentação enorme! O perdão passa pelo arrependimento e aquele que arrepende tem o firme desejo de não mais pecar, e se cai, toma em si o gosto amargo do pecado mas logo tem o desejo de nunca mais pecar novamente. Diferente daqueles que pecam deliberadamente. Deus é misericórdia mas também é justiça: todo pecado tem sua consequência. Jesus ao ser tentado pelo demônio no deserto a se atirar no precipício deixa o imperativo: Não tentarás o Senhor teu Deus! Aquele que peca consciente de seu ato e se confessa com a clara intenção de continuar pecando, comete um pecado ainda maior: de tentar contra a misericórdia de Deus! É preciso nos arrepender de nossas faltas e lutar com todas as armas para não mais tornar a cair, para assim não ofender a este Deus que tanto nos ama e quer nos perdoar.

Se sou fraco e vou cair novamente, por que então confessar?

Se olhamos desatentos parece que é a mesma situação anterior, mas existe uma grande diferença: luta. Aquele que reconhece que é fraco e se arrepende e continua lutando para fugir do pecado deve se confessar, para assim livre da culpa ter mais forças pra lutar contra o pecado. Diferente daquele que confessa simplesmente por desencargo de consciência mas não tem desejo nenhum de se arrepender e mudar de vida. Esta luta pela santidade faz toda diferença! Quem luta para ser santo e viver o que Jesus ensinou não exita em confessar para continuar a lutar.

Se hoje você se sente castigado, parece que foi amaldiçoado ou se acha azarado, não tenha medo de aproximar de Jesus, pois Ele não quer te condenar. Muito pelo contrário, quer te amar profundamente e te resgatar do pecado e te libertar. A primeira libertação que Jesus quer fazer em sua vida é a do pecado, deixe que Ele te toque agora e liberte todas as amarras do pecado. Não sinta culpa, pois ela te paralisa e as culpas já foram pagas na cruz. Sinta apenas arrependido e mergulhe nos braços da infinita misericórdia de Deus. Quando fizer isto poderá ouvir Jesus te dizer como disse a mulher adúltera: “onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar. “ Jo 8,11

Paulo Franco Machado

 

Escrito por: Paulo Franco Machado
Filho de Deus, casado com Christiane Faria, catequista, escritor. Gestor em Tecnologia da Informação com especialização em Gestão de Projetos. Atualmente é empresário e professor.

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